sábado, 7 de maio de 2011

sempre

Nós não estalamos os dedos e desaparecem bocados da nossa memória! Não desaparecem quando lavamos a cabeça, embora refresquemos a alma. Não deixam de existir quando olhamos para fora e vemos um pássaro a voar e lhe pedimos que os leve. Eles simplesmente ficam até que outro acontecimento do género se sobreponha ao antigo e atenue a lembrança. Nós somos débeis e incapacitados a esse ponto. Nós, seres humanos, somos todos iguais, mas, apesar de o sermos, apresentamos maneiras muito distintas de reagir à forma como essas recordações nos atacam o ego. E eu sei que mesmo que um dia chovam um turbilhão de emoções e que uma maré de felicidade me atinja, hei-de sempre lembrar aquele bom velho momento que tanto me perseguiu e me sussurrou: está na hora de te amarrar ao passado! Mas não tenho medo de enfrentar saudades e dores da distância! Só tenho medo de uma coisa: não voltar a encontrar ninguém assim, aqui ao meu lado e que me faça querer voltar atrás!

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